ESTUDANTES
Candidaturas
Para estudar em Inglaterra não é preciso ser um cranio, ou ter média de 20 valores a todas as disciplinas! Graças ao serviço simplicado de candidaturas chamado UCAS, só precisas de mandar os documentos que te pedem, pagar uma pequena taxa, e eles fazem tudo por ti, até ao momento em que se recebe uma oferta de uma universidade, ou duas, ou três - não há restrições para candidaturas ou cursos a que te quiseres candidatar, mas só te podes candidatar a um máximo de seis cursos por ano lectivo.
O site do UCAS está em http://www.ucas.com/ e basta seguir as instruções. Depois de aceitares uma oferta de uma universidade, a mesma entrará em contacto contigo. Normalmente mandam uma carta bem grande com todos os detalhes de propinas, alojamento, custos de vida, etc. Nesta altura as propinas para um curso de licenciatura em Inglaterra ronda entre os £1,300 e os £3,000 (depende das universidades) e para um Mestrado rondam as £4,500 (dependendo dos cursos, a propina também pode ser variável).
Estudantes que têm mais de 25 anos e/ou que trabalharam até três anos antes de iniciarem o curso podem usufruir da isenção de propinas dada pelo governo Inglês a estudantes de origem Europeia. Para isso basta aceder ao site do DfES em http://www.dfes.gov.uk/studentsupport/ e ver se se enquadram no regime de isenção de propinas, solicitar o formulário, enviar e esperar.
Um conselho: enviem o formulário o quanto antes. Normalmente aqui concorre-se à universidade um ano antes de se acabar o liceu (de Setembro a Fevereiro do ano seguinte). O formulário tem de ser enviado antes do fim de Janeiro do ano a que pretendem começar o curso, caso contrário correm o risco de ser aprovados na isenção após o curso começar.
Não pensem que vai ser fácil começar o curso em Inglaterra só porque estão motivados para fazer o mesmo. Vão ter de lidar com saudades de casa, com as dificuldades da língua e muitas vezes vão-se chocar com aspectos da cultura deste país. No entanto, a experiência é gratificante e no final, quem ganha são sempre vocês porque têm no vosso CV uma experiência internacional que muito vos vai impulsionar a carreira a nível profissional, mas também a nível pessoal.
*Breve explicação de resultados e notas de trabalhos, testes ou exames*
O sistema de ensino aqui é muito diferente do sistema em Portugal. Aqui nada pode ser colado com cuspo, mas também livrem-se de decorarem a matéria toda: levam com um F no final do semestre que se lixam! As notas também têm um sistema diferente do sistema português.
Mas nem tudo é mau. Muita da avaliação semestral baseia-se em trabalhos de pesquisa feitos em casa pelos alunos, onde o sentido crítico e o conhecimento da matéria devem ser conjugados com mestria e arte. Básicamente, tens de ser criativo dentro daquilo que aprendeste, e acima de tudo, tens de ser bom a divagar e a constatar factos aos mesmo tempo que os cruzas com as tuas próprias interpretações.
Plagiarismo não é permitido e dá direito a chumbo. Normalmente há mais exames no final do ano lectivo. No meu caso eu tive 4 disciplinas por semestre, duas horas semanais por disciplina. Sim, muito espaço livre. Se atinas no estudo, podes trabalhar umas horas extra e ganhar umas massas a mais. Caso contrário, aproveita o tempo livre para pôr matéria em dia.
Aqui só se chumba se se tiverem 2 Fs consecutivos à mesma disciplina semestral. O melhor é manterem-se bem longe dos Fs.
Aqui vai a correspondência entre as nossa notas e as notas Britânicas:
Classe Percentagem
(Português)
A+ 90-100%
A 80-89%
B 70-79%
C 60-69%
D 50-59%
E 40-49%
F CHUMBO ou Fail
Alojamento
Candidatos a estudantes e estudantes 'per se' têm a vantagem de poderem ficar no alojamento da Universidade, que é garantido por um ano (varía de universidade para universidade). Há possibilidade de ficarem alojados no campus por mais anos, mas devido ao número de caloiros no início de todos os anos lectivos, nem sempre é possível arranjar vagas e o mais certo é acabarem com as malas às costas à procura de uma residência provisória até se instalarem completamente.
O melhor mesmo antes de fazer as malas e deixar as terras Lusas é garantir que têm pelo menos dinheiro suficiente para pagarem o alojamento na totalidade, ou então até ao final do primeiro período de aulas (antes das férias de Natal) - isso permitirá arranjar um emprego a part-time para vos manter enquanto estudam, e se fôr caso disso, pagar as restantes prestações de alojamento.
Pode ser uma catrefada de massa (varia de universidade para universidade, mas 10 meses de alojamento podem atingir as 4,000 Libras). Uma coisa boa de viver na Universidade é o facto de ficar perto da biblioteca e infra-estruturas da mesma, e do preço do gás, electricidade e àgua já estarem incluídos no preço do alojamento.
A partir do segundo ano os alunos são geralmente incentivados em mudarem-se para um alojamento exterior à universidade. O preço desse alojamento varia entre 1,000 Libras por mês a 4,000 Libras por mês (ou mais). Os estudantes geralmente juntam-se todos e dividem a renda total mensal de uma casa pelo número de quartos disponíveis (partilhando as zonas comuns da casa entre si - W.C., cozinha, sala de estar), e dividem as despesas igualmente por todos.
Para quem trabalha em regime de part-time, não é difícil sobreviver se se tiver de pagar quarto, contas, comida, etc e ainda pensar em comprar livros. Eu nunca precisei de comprar livros nenhuns, pois tinha sempre os mesmos disponíveis na biblioteca da universidade. Claro que viver de um ordenado part-time não permite festas todos os dias, ou comprar a melhor roupa de marca, ou desbundar à maluca. Mas se te mantiveres focado nos teus objectivos, as coisas tendem a correr com fluidez e sem problemas de maior.
Como estudante você pode também trabalhar até 20 horas por semana sem ter que requerer permissão. A lei que aboliu a permissão de trabalho para estudantes estrangeiros foi introduzida em 1999 mas devem ser observadas algumas restrições:
· Durante o ano letivo o estudante não pode trabalhar mais de 20 horas por semana, a não ser no caso de estágios relacionados a seus estudos, reconhecidos pela instituição onde ele está matriculado.
· O estudante não pode ter seu próprio negócio ou trabalhar como autônomo. Tampouco é autorizado a atuar como esportista ou artista.
· O estudante não tem permissão para seguir uma carreira que requeira período integral.
Todo turista ou estudante que permanecer no Reino Unido por mais de seis meses é obrigado a se registrar no The Overseas Visitors Records Office (veja endereço e telefone na seção Endereços Úteis). Para isso é necessário pagar uma taxa de £34 e você precisa apresentar o seu passaporte e duas fotografias recentes, que podem ser tiradas na hora (há uma máquina no local onde você se registra). Você então recebe uma caderneta verde que não tem nada a ver com o Green Card americano e não é permissão de trabalho. Sempre carregue este cartão quando deixar o país para evitar problemas na volta.
Se não se registrar, terá problemas quando voltar ou se necessitar estender o visto novamente.
ESCOLAS
Algumas escolas são eficientes ao ajudar o aluno na extensão do visto mas nem todas oferecem cursos de boa qualidade. Se você realmente quer aprender inglês, visite várias escolas e peça para assistir a uma trial lesson (aula experimental gratuita). No caso de ter que estender o visto, leia atentamente as recomendações da seção Extensão de Vistos antes de escolher a escola.
Geralmente o que faz um curso é o professor. Como você está na Inglaterra, não é preciso pagar uma fortuna por uma escola com altos laboratórios e aparatos como as escolas no Brasil necessitam: há mil cinemas, lojas e pubs onde você pode entrar e praticar o seu inglês, mas é uma ilusão achar que você vai aprender de ouvido e quanto mais cedo você começar a estudar, maior a motivação.
Quem não tem problemas de visto, pode tentar um curso noturno, que sai mais barato e tem menos alunos na classe, ou então optar pelos cursos gratuitos oferecidos pela St. George School of English (37 Manchester Street, W1, tel. 020 7299 1704). O St. Giles College também oferece cursos gratuitos em alguns meses do ano (154 Southampton Row, WC1, metrô Holborn, tel. 020 7837 0404).
O Hammersmith & West London College também oferece aulas de inglês com professores estagiários de segunda a sexta-feira, das 13.45 às 15.45 / 17.30 às 19.30 e aos sábados, das 10h às 12h (o colégio fica na Gliddon Road, W14, a 100 metros da estação do metrô de Baron's Court, Piccadilly Line, e as matrículas são feitas na quinta-feira, 14h na c186). Esses cursos são grátis porque são oferecidos por ingleses que estão sendo treinados para serem professores e precisam adquirir experiência. A maioria deles é jovem e tenta usar técnicas modernas de conversação que sempre melhoram a pronúncia e o vocabulário.
Mas se você precisa do visto de estudante, essas aulas não são reconhecidas pelo Home Office.
Leros publica todo mês anúncios para todos os bolsos e requisitos e cabe a você descobrir a escola que preencherá suas necessidades (cuidado com as 'fábricas de visto').
Se você pretende estudar literatura, fotografia, desenho, arte, etc., os colégios do governo têm ótimos cursos de meio-período a preços acessíveis e basta dirigir-se à biblioteca local para obter uma brochura.
Para uma listagem mais abrangente de todos os cursos da rede estadual disponíveis em Londres, basta comprar o livro Floodlight ou a revista On Course. Já os cursos de período integral (15 horas ou mais por semana), custam bem mais caros para os alunos que não pertencem à União Européia.
(veja a seção Escolas para endereços e links)
ESTUDANTES CASADOS / COM FILHOS
COMO ESTUDANTE, você pode trazer sua esposa/marido e filhos menores de 18 anos, desde que tenha como comprovar que pode acomodá-los e sustentá-los durante seus estudos, sem recorrer a nenhum benefício do governo. Se o visto do estudante tiver duração superior a 12 meses, seu cônjuge poderá trabalhar (o marido/esposa do estudante pode trabalhar período integral mas o estudante só pode trabalhar durante as férias ou 20 horas por semana durante o curso).
Quem pode estar sob a condição de dependente de um estudante
A princípio, o cônjuge (marido ou esposa) e os filhos (desde que tenham menos de 18 anos no momento da entrada no Reino Unido) têm o direito de acompanhar o estudante durante o período de seus estudos. Importante mencionar que não faz qualquer diferença se é o marido ou a esposa quem possui o visto de estudante.
Em ambos os casos, o cônjuge poderá acompanhá-lo como seu dependente. Mencionamos esse fato porque em textos sobre o visto de estudante escritos em inglês, há a informação de que o estudante poderá ter como seu dependente seu "spouse". Alguns brasileiros equivocadamente traduzem o termo "spouse" como "esposa", concluindo, assim, que apenas a esposa poderia ficar como dependente de seu marido estudante.
No entanto, a tradução do termo "spouse" vem a ser cônjuge, o que significa que tanto a esposa pode estar sob a condição de dependente de seu marido como vice-versa.
Permissão para trabalhar
Durante o período de aulas, ao estudante será concedida permissão para trabalhar "part-time", ou seja, ele apenas poderá trabalhar 20 horas semanais. Essa regra existe para que o estudante não venha a ter seus estudos prejudicados pelo excesso de trabalho, portanto, durante o período de férias o estudante poderá trabalhar "full- time", período integral. Já a situação do seu dependente é diferente. A permissão para que o dependente do estudante possa trabalhar vai depender da duração do visto do estudante. Caso o visto concedido ao estudante seja superior a 12 meses, ao seu dependente será concedida permissão de trabalho "full time", ou seja, este terá permissão legal para estar empregado e trabalhar período integral. O mesmo não acontecerá se o visto concedido ao estudante for inferior a 12 meses. Nesse caso, seu dependente ficará proibido de trabalhar, seja "part" ou "full time".
Condições para a concessão do visto ao dependente
O casal deverá, ainda, demonstrar que existe a intenção de que o casamento perdure durante o tempo dos estudos, que não haverá necessidade de recorrer a auxílio do governo e que, uma vez expirados seus vistos, o casal deixará o Reino Unido. Esse último requisito existe porque a finalidade do Governo Britânico ao conceder o visto de estudante é que, terminados os estudos, a pessoa retorne ao seu país de origem e aí utilize a cultura e o conhecimento adquiridos no Reino Unido.
Durante o período de seus estudos, o estudante poderá, ainda, ter em sua companhia seus filhos, desde que tenham menos de 18 anos no momento da entrada no Reino Unido. Para a concessão do visto, deverá ficar comprovado que o filho não é uma pessoa independente, que é solteiro e não formou sua própria família. Deve, ainda, ficar comprovada a capacidade de o filho ser sustentado e mantido sem necessidade de recurso a auxílio público e que, uma vez expirado seu visto, não permanecerá no Reino Unido.
ESTUDANTES COM VISTO DE TURISTA
Se você perceber que recebeu o visto de turista, é possível pedir ao funcionário da Imigração para trocar pelo visto de estudante, pois não será possível obter o visto de estudante se você decidir estudar por mais do que seis meses. Embora não haja muita fiscalização, o brasileiro com visto de turista não tem permissão para trabalhar mesmo que esteja estudando 15 horas ou mais por semana. Se for autuado trabalhando, está sujeito a ser deportado. Em abril de 2003, o Departamento de Imigração fez uma incursão numa fábrica de biscoitos em Surrey, no sul da Inglaterra, e todos os brasileiros com visto de turista foram deportados. Os que tinham visto de estudante foram liberados. Mas no dia 11 de agosto de 2003, o Departamento de Imigração enviou uma equipe à mesma fábrica e desta vez os estudantes que estavam trabalhando mais do que a carga horária permitida também foram deportados. Mesmo que esteja estudando, quem não tiver o visto de estudante está sujeito a ser deportado e quem tem o visto de estudante também corre o risco de ser deportado se estiver trabalhando mais horas do que o visto permite.
ESTUDANTES E TURISTAS QUE SAEM DO PAÍS ANTES DO VISTO TERMINAR
TODA VEZ QUE O TURISTA DEIXA O PAÍS, ele pode ser questionado novamente quando retorna ao Reino Unido e a decisão do oficial da Imigração no aeroporto prevalece sobre o visto concedido anteriormente. Se um turista tem um visto de seis meses e depois de dois meses decide viajar, quando voltar ele receberá um novo visto, que não necessariamente terá a mesma duração do anterior. O novo visto poderá ter a duração de mais seis meses ou apenas um mês. Existe também a possibilidade de o turista não ser aceito de volta caso os oficiais da imigração não estejam convencidos de que ele pretenda retornar ao Brasil e tenha como se manter no Reino Unido sem trabalhar.
Os oficiais raramente complementam o visto recebido anteriormente e o fato de o turista estar viajando pela União Européia é irrelevante: tanto faz se ele foi passar férias em Paris ou na Índia. Para quem tem o visto de estudante o procedimento é diferente. Neste caso, ele geralmente recebe um novo visto com a mesma duração do anterior.
Os estudantes raramente têm problemas ao retornar, mas também estão sujeitos a uma nova avaliação e caso não respondam as perguntas satisfatoriamente, poderão não ser aceitos.